Aprender para ficar vivo

A vida é uma sucessão de tarefas. Pelo menos de certo ponto de vista. No domingo à noite, a maioria de nós fica triste programando um despertador para a hora que é preciso levantar e começar a fazer tarefas. Se arrumar a tempo de tomar café antes de sair de casa. Tomar café a tempo de ir pegar o ônibus. Torcer para o metrô não parar. Caminhar depressa para ir almoçar, ou fazer o almoço com pressa. Tudo para poder almoçar a tempo da reunião, da entrega, do prazo. O celular sempre sendo checado, porque tem muitas tarefas sendo criadas e encaminhadas por ali. Até as relações e os laços podem virar tarefas.
Mas em qual estado esse ritmo deixa nossa mente e nosso corpo? Ficamos dissociados. É como se nossa vida - tão nossa, tão familiar - deixasse de nos manter presentes. Em meio a tantas tarefas, a gente pode acabar se esquecendo de se reconhecer como gente que vive, se alimenta, fica junto com os outros, dorme e sonha e imagina futuros melhores para si. E “se esquecer” de imaginar futuros, de organizar os sonhos em pensamentos, custa muito caro para seres que existem como nós - dando sentido à tudo.
Também é preciso reconhecer o lado social dessa história. Vivemos num tempo em que ser produtivo o tempo todo é basicamente tudo que importa - isso se você quiser conseguir qualquer coisa na vida. Nem os artistas podem se dedicar à arte sem se preocupar com a produtividade, a rentabilidade, as métricas de consumo, o mercado etc etc. Estamos todos muito preocupados com o futuro (o nosso e o do planeta) mas não conseguimos nem parar para pensar porque é preciso continuar, porque no outro dia tem mais, e novas tarefas já se anunciam antes do sono chegar.
O que perdemos por esse caminho? O cultivo dos sonhos pode ser a coisa mais importante. Ficar imaginando futuros, possibilidades, jeitos de fazer aquilo que a gente sente que precisa, que vai fazer da gente melhor - ocupar a cabeça com assuntos para além das tarefas. A imaginação também é uma grande aliada em matéria de realização. Quando nos imaginamos fazendo o que queremos fazer mas aquilo ainda não é uma realidade, os nossos desejos - por mais difíceis de realizar que sejam - viram imagens que nos inspiram a mover nossos pés em direção a um futuro que faz sentido em relação a quem somos. Como sermos humanos sem essa força imaginativa criadora de mundos?
Quando pensamos sobre esses assuntos, vem à tona uma palavra muito especial, que é inclusive o motivo de estarmos escrevendo tudo o que viemos escrevendo aqui: educação. Aprender é uma das maneiras mais naturais e benéficas de se manter próximo de si mesmo, dos outros e de não se dissociar de sua própria rotina. Não apenas aprender no sentido de ganhar informações novas, - conceitos, palavras, assuntos - mas no sentido de escutar, trocar e estar junto com outros a pensar, analisar e imaginar o mundo.
Quando nos colocamos numa posição de aprender ou ensinar - lembrando que esses verbos são sempre via de mão dupla, e não nos interessa um ensinar sem aprender - estamos exercendo nossa humanidade e resistindo ao poder esmagador da falta de tempo, da rotina e das tarefas.
Se aprender, em geral, já é um empenho tão transformador, aprender um idioma vai além, porque te dá palavras novas para imaginar o mundo. Tudo que você gosta, conhece, odeia, tudo que você já viu, ganha uma dupla - a palavra na outra língua. Os significados do mundo se apliam tanto que a gente cresce junto. Ainda que com infinitas tarefas e lugares para chegar, quando a gente está redescobrindo o mundo, o presente sempre pode trazer nosso interesse de volta.
Criamos a Sapient English para ensinar inglês por esses caminhos: atenção, paciência, estratégia e presença. Uma aula sempre é extraordinária porque acontece no presente: da teacher e do aluno. Ainda que através da tela, quando estamos em aula estamos juntos. Estamos juntos e vamos ensinar e aprender. Fazer nosso trabalho assim, desde a preparação da aula muito antes dela começar, requer muita atenção e esforço, o que faz todo sentido pensando na imensidão da tarefa que amamos tanto executar - ensinar inglês de um jeito que as pessoas aprendam e sintam-se seguras para falar e se apropriar do idioma.
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