Como a escuta do professor pode te ajudar - ou atrapalhar - a falar inglês.
- Caroline de Oliveira

- 19 de mai.
- 5 min de leitura
Você gosta de se comunicar? Com quem você costuma conversar? Com qual frequência participa de conversas importantes para você?
Ao responder a essas perguntas, é possível que você se depare com algumas características de personalidade que mudam muito de pessoa para pessoa. Há quem fale muito, há quem prefira escutar os outros em vez de chegar falando o que pensa, e há quem prefira a introspecção.
De qualquer maneira, a comunicação faz parte das nossas vidas, e não só com a finalidade de transmitir informações ou avisos importantes no dia a dia, mas também para nos expressarmos e colocarmos para fora nossa maneira de pensar e enxergar o mundo.
Nem sempre a gente tem opinião sobre tudo, mas todos temos pontos de vista específicos sobre as coisas que nos rodeiam, principalmente sobre nossa própria existência e das pessoas com quem nos relacionamos. Mesmo as pessoas mais quietas, que não têm nas conversas a forma principal de autoexpressão, participam de ciclos onde conversar e dizer o que se pensa é mais natural do que em outros.
Todo mundo precisa de um lugar seguro, confortável e aberto para se comunicar e se expressar. Isso faz parte da nossa experiência humana: quando estamos em troca com outras pessoas, nos conectamos à nossa natureza de forma única, e isso faz com que a gente se torne mais a gente mesmo.
Estar sob o olhar e julgamento do outro é parte essencial da construção de nós mesmos, e quando digo “julgamento” não falo de uma postura autoritária e regulatória, mas da atitude natural que todos temos de, ao ter contato com alguém ou alguma coisa, usar as nossas perspectivas, valores e princípios para enquadrar aquela situação em algum cenário que faça sentido pra nós. Tudo que vemos passa pelo filtro do nosso próprio olhar, é por isso que um mesmo acontecimento pode ter significados distintos para indivíduos diferentes.
“Não vemos as coisas como são, vemos as coisas como somos"
Anaïs Nin
Num mundo onde ser feliz ou bem-sucedido significa se sobressair em relação às outras pessoas e o individualismo é visto como o grande pilar da autorrealização, parece até esquisito admitir que precisamos do olhar do outro para sermos quem somos, e esse “outro” pode ser seu parceiro, sua família, seu círculo social de amigos ou as pessoas do seu ambiente profissional.
A importância das nossas relações mais próximas na construção e afirmação da nossa identidade é largamente demonstrada pela psicanálise há muitos anos. Desde que chegamos ao mundo, necessitamos de uma mãe (ou figura materna-cuidadora) que nos alimente e garanta nossa sobrevivência. Precisamos dos outros para nos ensinar como o mundo funciona, e para confirmar nossas suposições sobre o que é verdade ou mentira. Quando começamos a falar e nos expressar, o outro (família, escola, ciclos de amizades) também começa a fazer um papel de juiz sobre nossa maneira de ser. De forma que usamos esse outro para nos medir e ajustar nossa identidade, personalidade e valores ao que fica estabelecido como “norma geral’.
Sigmund Freud, conhecido como o grande fundador da psicanálise, deu um nome para essa agência reguladora interna que construímos dentro da nossa própria mente: o superego. Essa instância do nosso psiquismo nasce justamente da interiorização das regras, das normas e dos olhares daqueles que nos cercam. O superego se torna um vigilante interno que passa a nos policiar para garantir que a gente se enquadre no que o mundo espera de nós. Aqui, começamos a ganhar pistas da razão pela qual nos cobramos tanto, somos tão insensíveis ao nosso próprio progresso e autoexigentes demais.
É claro que nem sempre o olhar do outro atua como um bom juíz. Muitas vezes, e todos temos experiências assim, o julgamento alheio é injusto, insensível e cai como uma bomba na vida da gente. Mas de qualquer modo, esse olhar é sempre determinante em algum grau para quem somos - e para nossa maneira de falar e nos expressar.
Até aqui estamos falando sobre comunicação, autoexpressão e relações em que os olhares de fora são muito influentes. Mas se, na vida, quem nos escuta e a maneira como faz isso são variáveis tão importantes, não seria diferente quando nos dedicamos a aprender a falar uma língua nova, até porque a linguagem existe justamente para viabilizar nossa comunicação e o registro das nossas ideias.
Quando você está aprendendo a falar inglês, é imprescindível que você busque se expressar usando as palavras, estruturas e expressões desse idioma. Não só porque quanto mais palavras você conseguir usar mais domina a língua, mas porque o fato de você conseguir falar do seu jeito sobre as coisas que você fala normalmente é o atestado de que o inglês foi internalizado por você.
Com toda certeza, para se comunicar com excelência na língua inglesa é preciso ler muito, estudar cotidianamente e escutar gente falando sobre assuntos diversos para ganhar repertório - e não custa dizer que isso vale para nossa primeira língua também. Quanto mais você conversa, escreve, lê e consome conteúdos diversos em português, melhor fica a qualidade da sua fala. Mas existe um fator para além de todos esses que influencia muito o ritmo e a qualidade do seu aprendizado de inglês: quem está te escutando, guiando sua comunicação e como está dando conta desse processo tão importante.
Isso não é verdade apenas porque o professor importa muito na forma com que aprendemos, é mais que isso. Lembra que a forma como o olhar do outro recai sobre nós é muito determinante na nossa forma de comunicar? Se a gente pensar que aprender inglês já é um processo complexo cheio de etapas e que os erros fazem parte natural do caminho, e somar a isso um professor que te escuta superficialmente ou com excesso de rigidez para ficar te corrigindo, como se só isso importasse para ajudar a melhorar sua fluência, temos a receita perfeita para o nascimento de uma insegurança e um desconforto que podem atrapalhar seu progresso por anos e anos.
Se para falar a gente precisa ser ouvido, a qualidade da escuta de quem te ensina é muito importante. Como você vai se soltar e se expressar de verdade se, enquanto fala dos seus pontos de vista, a outra pessoa está indiferente como quem opera uma máquina ou severa como quem corrige um exame técnico?
A comunicação humana é dinâmica e flui como água entre dois ou mais pontos de contato: nós e os outros. Se não estamos confortáveis, nos sentimos excessivamente julgados ou inseguros em razão da forma do outro nos encarar, esses pontos de contato ficam vagos e, ao sentir que não estamos falando para ouvidos atentos, perdemos a vontade de nos expressar e, automaticamente, a fluência se afasta de nós, já que não estamos mais implicados em nossas próprias palavras.
Aprender a falar inglês nos exige várias coisas, mas a principal delas é que aquele que nos ensina esteja sinceramente interessado em nos ouvir - ou não aprenderemos a nos comunicar, só a repetir palavras e frases soltas e vazias de sentido.
Aqui na Sapient, além de preparar todas as aulas com carinho pensando no que cada um precisa aprender no momento presente, temos os ouvidos abertos o tempo todo, desde o primeiro contato com nossos alunos. A escuta ativa é um pilar fundamental da nossa metodologia de ensino, e isso nos permite proporcionar o ambiente adequado para cada um poder desenvolver a própria fluência de maneira natural e confortável.
Mais do que falar inglês com qualidade, nosso objetivo é que os estudantes se reconheçam como agentes pensantes e ativos no mundo. Quando a gente se sente escutado, a gente se valoriza mais e coloca mais força na nossa coragem de saber.
Agora, queremos te ouvir. Como isso ressoa por aí? Você tem se sentido escutado na sua vida e nas suas aulas de inglês?
Se você quer ter aulas de inglês com a gente e experimentar nossa metodologia, entre em contato aqui embaixo!
Se quiser receber a newsletter da Sapient English com conteúdos atuais e relevantes para todos os níveis de inglês, é só assinar aqui embaixo!
Referência
O Ego e o Id, Sigmund Freud

Comentários