É possível ser fluente em inglês depois de adulto?
- Caroline de Oliveira

- 4 de mai.
- 4 min de leitura
Atualizado: 5 de mai.
A ideia é tão presente no dia a dia que virou senso comum: se você quiser aprender uma língua nova, é melhor fazer isso enquanto ainda é jovem, melhor ainda se for antes dos 30. Quanto mais jovem, melhor. Porque depois que a gente começa a amadurecer e a idade chega, tudo fica mais difícil e você ainda corre o risco de tentar, várias vezes até, e não conseguir ser fluente. Para além de aprender idiomas ou inglês, essa ideia equivocada se aplica a outras áreas também. Depois que a gente cresce e amadurece, parece que ser poliglota, artista, intelectual ou aprender qualquer habilidade do zero fica muito mais difícil.
Não é à toa que tanta gente se sente assim. No mundo em que vivemos, as relações de poder se tornaram complexas a ponto de a gente precisar de muito mais do que uma carreira ou um trabalho bem feito para alcançar algum reconhecimento. Dependendo do ciclo social ou grupo a que se quer pertencer, é preciso atentar para como nos expressamos, para as conexões que alimentamos e, principalmente, para os conhecimentos que a gente adquire. Aquilo que você aprendeu, os saberes que você acumula ao longo da vida e das suas experiências, inclusive os idiomas que você fala, constituem seu capital cultural.
Foi Pierre Bourdieu quem nomeou esse fenômeno assim. Para ele, o capital cultural é essa bagagem de conhecimentos e experiências que geraram algum saber e transformaram nossa maneira de existir no mundo. Acontece que o conceito também cria uma barreira que separa as pessoas em ambientes e grupos sociais diferentes. No cenário global em que vivemos hoje, falar inglês se tornou um ativo importantíssimo e extremamente requisitado nesse sistema. Dominar o idioma significa ganhar acesso para oportunidades e círculos onde orbitam os sonhos e metas de realização de muitas pessoas.
Mas o que acontece, então, com as pessoas que já ficaram adultas e não aprenderam inglês “a tempo”? Se falar inglês é tão importante e quem passou dos 30 anos já não tem tantas chances de aprender, quem é que ainda tem chances de aumentar o próprio capital cultural a esse nível?
Pois bem. É preciso deixar para trás a crença preconceituosa de que adultos não conseguem aprender inglês ou então o fazem com extrema dificuldade, desconforto, sempre a trancos e barrancos. Temos inúmeros motivos para abandonar esse senso comum e aproveitar todo o potencial de aprender que mora em nós.
A neurociência moderna mostra, em diversos estudos sobre neuroplasticidade*, que o cérebro adulto não perde a capacidade de aprender, ele só muda seu funcionamento cognitivo. Enquanto as crianças, por exemplo, aprendem sobre o mundo de forma passiva, absorvendo as informações que chegam para elas, os adultos se engajam de um jeito diferente sobre a realidade e aprendem através da atenção deliberada - ou focada - e de acordo com a relevância que o conteúdo apresenta para ele. Ou seja, quando o adulto tem interesse genuíno em adquirir um conhecimento e, no processo de estudos, é exposto a conteúdos que realmente são interessantes para quem ele é, esse aprendizado acontece naturalmente.
Além disso, é cientificamente demonstrado que adultos possuem uma capacidade muito mais significativa de fazer analogias, associações e conexões profundas com as coisas que estão aprendendo, justamente por conta da maturidade e do acúmulo de vivências. Sua maturidade é, na verdade, uma grande vantagem, longe de ser um obstáculo no seu caminho.
Agora, com todo esse poder que o cérebro tem, qual é o problema então que leva tanta gente a relatar dificuldade para falar inglês depois de adulto?
Um bom professor de inglês deve usar as qualidades cognitivas dos adultos a favor de seu aprendizado, é para isso, ele precisa de mais do que dar uma aula apresentando vocabulários e estruturas gramaticais pouco interessantes. As metodologias usadas para ensinar adultos não podem ser as mesmas que funcionam com as crianças. Os métodos para ensinar as pessoas maduras precisam se basear em andragogia - a ciência que se debruça sobre o aprendizado em adultos.
Aprender exige um lugar confortável onde o aluno se sente seguro sabendo que pode errar e isso será apenas parte de seu processo natural, e aqui precisamos lembrar que aprender um segundo idioma envolve fazer uma redescoberta do mundo a partir de uma nova linguagem - e isso não é simples nem acontece de uma hora para outra. É preciso que as aulas sejam planejadas com estratégia e direcionadas para o objetivo do aluno, mas, além disso, é essencial que ele faça parte da construção de sua aula. Que o professor seja um guia que tem sempre a escuta ativa para direcioná-lo para um caminho que não apenas vai trazer conhecimentos novos, mas também muito relevantes para sua jornada.
Esse é o ambiente que fazemos questão de estabelecer em todas as aulas na Sapient English. Aqui, além de ensinar inglês, nosso papel é te mostrar que você pode aprender essa língua e qualquer outra coisa que desejar. Com atenção, gentileza e direcionamento correto, aprender é a coisa mais natural do mundo. Nada que a gente já não tenha feito antes, não é?
Espero que, ao fim desse texto, você possa perceber que estudar inglês não tem nada de vergonhoso ou condenável. Na verdade, reivindicar seu direito e potencial de aprender é um ato de muita coragem e humanidade. Para além do aumento do capital cultural, que faz brilhar os nossos olhos, trata-se de cuidar e cultivar o próprio crescimento intelectual.
Não deixe que barreiras simbólicas e cheias de preconceitos te impeçam de ir atrás das suas vontades, sejam elas pessoais ou profissionais. A gente pode te ajudar a refazer esse caminho de volta para sua infinita capacidade de aprender e evoluir com os seus saberes. Mas antes de tudo, queremos te escutar. Entre em contato com a gente e agende sua aula inicial gratuita!
*neuroplasticidade é a capacidade do sistema nervoso de remodelar suas conexões e funções em resposta a novos estímulos e aprendizados .
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Referências
Pierre Bourdieu, A Economia das Trocas Simbólicas
Malcom S. Knowles; Elwood F. Holton; Richard A. Swanson, Aprendizagem de Resultados: uma abordagem prática para facilitar a aprendizagem de adultos
Norman Doidge, O Cérebro que se Transforma: as descobertas da neurociência sobre a capacidade do cérebro de se curar e se regenerar

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